O ano de 1968 foi por si só muito agitado e é lembrado até os tempos de hoje pela sua imensa importância cultural e social. A juventude fez a diferença mais do que nunca. E um grupo de quatro rapazes, mais precisamente de Liverpool, ajudaram e muito nessa agitação que foi o ano de 68. John Lennon, Paul McCartney, Ringo Starr e George Harrison. Os Beatles, que já eram um fenômeno mundial, marcaram mais uma vez esse ano produzindo um de seus mais aclamados álbuns.
Mas, para os Beatles, o ano de 68 não começou badalado. Pelo contrário. Em fevereiro, eles viajaram para o norte da Índia para estudar meditação transcendental com Maharishi Mahesh Yogi. Isso inspirou a criatividade do quarteto e, devido a essa visita, produziram algumas músicas com referência a espiritualidade que a Índia tanto afirmava. Tais músicas podem ser encontradas no White Album e no Abbey Road. Voltando dessa tremenda viagem, John e Paul foram para Nova Iorque anunciar a criação da Apple Records, selo discográfico da própria banda.
Ainda fruto da ida à Índia, a banda gravou alguns demos das músicas lá escritas no estúdio da casa de George. Só em maio começou o processo de produção do mais novo álbum, o The Beatles, mais conhecido como White Album (Álbum branco, pela capa ser toda branca). Esse foi o período de maiores desentendimentos entre os integrantes. Conciliando as gravações com a nova empresa Apple Corps, eles acabaram se tornando mais homens de negócios que músicos, o que desgastou e muito a relação entre eles. Além da presença mais do que contínua da mais nova namorada de John, Yoko Ono no estúdio durante a gravação. Isso irritava os outros integrantes por que nem mesmo Brian Epstein (empresário da banda) ou George Martin (produtor, arranjador e compositor) ficavam no estúdio quando os Beatles estavam compondo e gravando.
O disco também ficou marcado como um tempo de grande individualidade do grupo. Era possível de se encontrar os quatro integrantes gravando por horas em três estúdios diferentes, John em um, Paul em outro e Harrison e Ringo em um terceiro. Este último, em 22 de agosto, deixa a banda temporariamente, alegando se sentir minimizado no processo de produção perante os outros membros do grupo e que estava cansado do trabalho contínuo e demorado do disco. Duas semanas depois retornou, com os outros três implorando, trazendo flores espalhadas pela bateria. Mas não demorou muito para sair outra vez. Sem Ringo, Paul ficou responsável pela bateria e instrumentos de percussão e tocou em “Martha My Dear”, “Wild Honey Pie”, “Dear Prudence” e “Back in the USSR”.
Com a morte de Epsein, a banda precisava de outro empresário. Lennon, Harrison e Starr queriam o gerente nova-iorquino Allen Klein, mas McCartney queria o empresário Lee Eastman, pai da então namorada e futura esposa de Paul, Linda. Os outros três membros desconfiavam que Eastman botasse os interesses de Paul antes dos da banda. Anos mais tarde, descobriu-se que Klein, que havia se tornado o gestor do grupo, roubou cinco milhões de libras esterlinas dos Beatles.
Em 14 de outubro a gravação do Álbum Branco havia finalizado e em novembro foi lançado. Como já era de se esperar, foi um sucesso arrebatador. O LP duplo alcançou o primeiro lugar nas paradas rapidamente, onde ficou por muito tempo. A revista Rolling Stone o colocou como o décimo melhor álbum de todos os tempos, dentre 500 ao todo. O primeiro também é um do grupo britânico.
Alguns artistas tiveram participação especial no disco. É o caso de Eric Clapton, que toca um solo de guitarra em “While My Guitar Gently Weeps”. Nick Hopkins, toca piano em “Revolution 1” e “Savoy Truffle”. Jack Fallon, um violinista que participa em “Don’t Pass Me By”. Uma orquestra sinfônica em “Good Night” e Yoko Ono na música “Revolution 9”. Mas nenhum desses ganhou créditos no álbum.
O musical em desenho animado “Yellow Submarine” foi lançado em 13 de novembro. Foi uma sugestão do próprio John Lennon. Lee Minoff escreveu uma história baseada em letras de algumas músicas dos Beatles. Mas eles não gravaram as vozes para o desenho e nem se quer acompanharam o roteiro e produção, segundo George Harrison.
Dentre várias desavenças, não deixaram prevalecer sobre o talento. No confuso ano de 1968, a Beatlemania persistia firme e forte.






